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20/01/2012
Paradoxo do Crescimento

Para o cientista da computação Alan Kay, "o passado não deve ser base para um pensamento de longo prazo, pois o futuro é incerto. No entanto, deve-se criar o futuro, com constantes inovações", segundo o livro "The Early History of Smalltalk", 1996.

Seguindo esta mesma lógica, o ex-Ministro da Fazenda Delfim Neto, apregoa que nos últimos 60 anos, os economistas vem errando em suas previsões, destacando a falta de compreensão sobre a PTF - Produtividade Total dos Fatores, relacionando o tema ao capital humano, PIB,  infraestrutura e as incertezas nas previsões, conforme o texto "Profecias para 2012, Valor Econômico, 10/01/2012".

No entanto, tanto Alan Kay, quanto Delfim Neto estariam corretos em suas afirmações, principalmente, quando o tema é o crescimento nacional? Quais os desafios atuais e de longo prazo? O que o passado recente pode nos ensinar?

Dados do Banco Mundial indicam que o Brasil ainda tem muito que fazer, quando os assuntos são capital humano, infraestrutura e um ambiente adequado para negócios, apesar da sexta colocação, entre os maiores economias do mundo. Destaca-se ainda, os resultados abaixo da media internacional, para indicadores como o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, renda per capta e testes educacionais, sendo motivo de atenção e melhorias.

Se na gestão do então Presidente Collor,  abria-se a economia brasileira para o mundo, hoje o dialogo está associado às barreiras Argentinas às importações, os desafios referente à crise européia e sinais de arrefecimento chinês, grande comprador de commodities e com elevada participação na balança comercial.

Caso o passado tivesse um grande peso para as previsões futuras, poderia se dizer que o Brasil teria sérios problemas em 2012, fruto do cenário internacional, conforme os tempos da inflação. Mas como citado anteriormente, o passado não deve servir de base para um futuro incerto, devendo-se criar as bases para o futuro. Os problemas residem "as bases para o futuro". Delfim Neto está correto ao afirmar que, "os economistas vem errando em suas previsões, destacando a falta de compreensão sobre os PTF", devido à visão destacada para indicadores e menos na formulação de políticas estratégicas de futuro.

O Brasil não investe adequadamente em educação e na formação de gente qualificada, muito menos em infraestrutura, com notáveis gargalos nas rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, redes de energia, telecomunicações e saneamento básico, sendo que, diversos estudos indicam a função "desenvolvimento", correlacionada a estes fatores.

Concomitantemente, o ambiente de negócios é cercado de alta carga tributaria, burocracia e a incerteza quanto as decisões relacionadas à inflação, legislação como um todo e questões político-partidárias complexas.

O ideal imaginário, poderia ser uma país, em que o Governo exercitasse uma capacidade de gestão, com viés privado, reduzindo a sua participação, a questões centrais, constitucionais e regulatórias, abrindo espaço para maior inserção privada, em um ambiente inovador para negócios.

Conforme escrito pelo filósofo Bertrand Russell, "não tenha certeza de nada", complementando, "o mundo é feito em ciclos de crescimento e quedas", em seu livro "Código de Conduta", 1969, restando ao Governo, a busca pela agilidade de decisões e a manutenção do crescimento sustentado, ainda mais quando a produtividade não ultrapassa o limite de 1% ao ano, segundo dados do Banco Mundial (2012).

Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu
Professor e Pesquisador da UNA e FDC

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