
Depois de conseguir que a Organização Mundial do Comércio abra um painel contra os EUA por proibirem a entrada do frango chinês em território americano, a China agora acena com a possibilidade de iniciar um novo processo. A acusação desta vez é de “dumping” e quem propõe a abertura de processo é a própria indústria avícola chinesa.
“Ao mesmo tempo em que proíbem a importação de frango da China, os EUA estão exportando para o mercado chinês, a preços extremamente baixos, grandes quantidades de partes do frango que os americanos não consomem - como asas, pernas e patas. Isso é totalmente injustificável”, reclama Ma Chuang, dirigente da China Animal Agriculture Association (CAAA), entidade que representa as 20 maiores empresas avícolas do país e que, por sua vez, respondem por mais da metade do abastecimento do mercado chinês.
Para comprovar que, por conta do aviltamento de preços, a indústria avícola local está perdendo mercado para os EUA, o setor faz algumas demonstrações: a tonelada do frango produzido internamente anda por volta de 13 mil iuanes (pouco mais de R$3.500/t). Mas o produto que chega dos EUA entra no mercado local a não mais que seis mil iuanes (R$1.600/t).
De acordo com o dirigente da CAAA, a carne de frango vinda dos EUA corresponde a 60%-80% do total importado pelo país e atende cerca de 10% do mercado interno. Já as empresas representadas pela entidade produziram em 2008 ao redor de 5,9 milhões de toneladas de carne de frango (“de linhagens de penas brancas”, para deixar clara a utilização dos modernos híbridos), mas só utilizaram 67% de sua capacidade produtiva.
“Na China, o frango está sujeito apenas a um imposto de importação de 5% e a uma taxa adicional (VAT) de 13,6%. É tão pouco que acaba não havendo diferençiação entre o produto importado e o produzido internamente”, afirma Ma Chuang.Questionado quanto à possibilidade de aumento dos preços internos se as importações sofrerem restrição, o líder da avicultura chinesa retruca que o setor dispõe de uma capacidade de produção suficiente para atender a demanda doméstica e acrescenta que o ciclo de produção “das linhagens de penas brancas” é rápido – de seis a sete semanas. “O consumidor não precisa temer uma explosão de preços”, diz.
Aparentemente, o governo chinês – nem um pouco satisfeito com a proibição, pelos EUA, de importação de frango da China – desta vez está dando ouvidos ao setor avícola. Segundo um integrante do Ministério do Comércio, a denúncia da avicultura está sendo devidamente analisada e será tratada de acordo com as leis específicas, em especial no que diz respeito ao “dumping”. (Fonte)