
Os chanceleres de Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Jorge Taiana, se reuniram ontem no Rio de Janeiro em preparação à reunião dos presidentes dos dois países. Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner têm um encontro agendado para o dia 18, no Brasil. O comércio bilateral entre as duas nações, que passa por turbulências, foi o principal tema da conversa.
Em entrevista coletiva, Taiana afirmou que expressou as suas preocupações com medidas tomadas pelo Brasil. Ele considera que o País não avisou previamente antes de passar a exigir, no mês passado, licenciamento não automático da importação de diversos produtos da pauta de exportação argentina. "Não estava claro que as medidas eram para todos e não só para a Argentina", segundo Taiana.
Amorim, por sua vez, disse que ouviu do ministro argentino a forma como aquele país vê as questões bilaterais e expôs "os problemas como são vistos pelo Brasil". De acordo com o chanceler brasileiro, as soluções não estão prontas e é preciso aproximar as visões dos dois países. Para Amorim, o ideal é não precisar de licenças não automáticas para importação.
O ministro brasileiro observou que os chanceleres sozinhos não podem decidir nada, já que há envolvimento de outras áreas de cada governo e que a decisão final cabe aos presidentes. "Tratamos do que é possível até o dia 18, que medidas podemos tomar ou deixar de tomar para criar um clima positivo", disse Amorim, acrescentando que também falaram de qual caminho seguir para uma integração cada vez maior entre Brasil e Argentina. Taiana disse também que os chanceleres vão levar "elementos" dos temas tratados para as respectivas áreas competentes de cada governo. "Confiamos que serão encontrados caminhos positivos", afirmou o chanceler argentino.
A agenda de Cristina e Lula será ampla, como parte do compromisso assumido pelos dois presidentes de se reunir a cada seis meses para discutir todos os assuntos que envolvam a relação bilateral. Porém, no governo argentino, fontes reconhecem que as discussões centrais do próximo encontro vão girar em torno das barreiras comerciais.
O governo argentino travou, há mais de um ano, 14% da pauta exportadora do Brasil para o mercado vizinho. O argumento da Casa Rosada é de preservação da indústria nacional e dos empregos para enfrentar a crise internacional. Superado o pior momento da turbulência, o Brasil considera que chegou o momento de abandonar as proteções comerciais.
Para forçar uma decisão argentina de desarmar os mecanismos protecionistas, no mês passado, o governo brasileiro passou a exigir licenças de importação para vários produtos argentinos. Entre alguns negociadores argentinos também existe o sentimento de que é preciso desarmar as barreiras de ambos os lados. Mas a ministra de Indústria da Argentina, Débora Giorgi, não pensa o mesmo. Por isso, o assunto será discutido entre os presidentes.
"Vamos ter uma reunião com Lula e vamos chegar a uma conclusão de acordo com os interesses do Mercosul. Vamos conversar com Lula sobre mecanismos não contemplados no Mercosul", afirmou Cristina na semana passada à imprensa argentina durante sua viagem ao Chile. O governo argentino qualificou a retaliação brasileira de inaceitável porque o Brasil não avisou previamente sobre sua decisão contra a farinha de trigo, verduras, frutas, aerossóis, ração para animais e outros produtos.
A Argentina argumenta que avisou previamente todas as vezes que adotou barreiras contra um produto. E acusa o Brasil de adotar restrições ao comércio de maneira unilateral, sem aviso, ferindo o espírito do Mercosul, como definiu um diplomata argentino. (Fonte)
Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística