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Segunda-Feira, 16 de novembro de 2009
O Rio Grande não precisa de hidrovias

 

A navegação interior no estado do Rio Grande do Sul poderia não existir: tudo o que se transporta por água pode ser transportado por terra. O transporte hidroviário é apenas uma opção e só é usado se for mais barato, por isso as empresas de navegação têm que operar com custos baixos e com enorme eficiência para concorrer com os outros modais. Quando a origem e o destino da carga estão na margem dos rios o transporte hidroviário é imbatível, mas quando é necessário, e quase sempre o é, levar a mercadoria até um embarcadouro, a competitividade cai muito e por vezes se inviabiliza. Caso emblemático é que até hoje não se conseguiu atrair para as hidrovias o transporte de contêineres, que é totalmente feito por via terrestre e, em sua quase totalidade, por caminhão.

Tenha-se em conta que o transporte hidroviário é o mais seguro, menos poluente, menos agressivo à natureza e de implantação mais barata: a estrada está pronta e não necessita de reparos. O Estado é o único estado que dispõe de hidrovias interiores ligadas ao porto marítimo, por isso o governo do Estado montou uma força-tarefa com técnicos holandeses para aumentar seu uso e a competitividade da produção gaúcha.

Na contramão desse esforço, a Marinha de Guerra, que estabelece a quantidade de marinheiros por barco, cada vez pretende que se use maior número de embarcados e com qualificações desnecessárias, encarecendo e tirando a competitividade desse modal. Os empresários da navegação interior estão construindo barcos com a mais moderna tecnologia e equipamentos de automação, mas todo esse esforço é anulado quando chega o momento de tripular as embarcações e a Marinha de Guerra, com base em critérios que desconsideram tudo isso, estabelece que uma embarcação que na Europa usaria não mais do que quatro tripulantes aqui tenha que ser equipada com seis, sete e até oito marinheiros. Por outro lado também coopera com o encarecimento desse modal uma infinidade de exigências, não só da Marinha de Guerra, como dos demais órgãos do governo que interferem na navegação interior.

Para o transporte rodoviário muito pouco é exigido, mas para o hidroviário há uma infinidade de procedimentos e declarações que precedem cada viagem, ocasionando custos, perda de tempo e necessidade de funcionários para atender a exigências burocráticas sem nenhuma utilidade. Enquanto isso nossas estradas são palco de uma sequência de acidentes fatais envolvendo caminhões e as hidrovias continuam subutilizadas e tendendo ao desuso, porém, para a Marinha parece que navegar não é preciso. (Fonte)

Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística
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