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Segunda-Feira, 16 de novembro de 2009
Moveleiros apoiam fim de visto argentino

 

O cancelamento da cobrança de visto para liberar as exportações de móveis para a Argentina será insuficiente para melhorar o fluxo comercial. Os industriais gaúchos do setor são os que mais sofrem no Brasil com as barreiras e descumprimento de acordos pelos vizinhos, amargando queda de 54% da receita externa com o cliente, segundo entre os compradores, entre janeiro e outubro deste ano. A presidente da Associação da Indústria de Móveis do Estado (Movergs), Maristela Longhi, cobra redução de prazo das licenças, que deveria ser de até 60 dias e ultrapassa cem dias.

O anúncio pelo governo argentino, na sexta-feira passada, do fim da exigência de visto para liberar o transporte de produtos elaborados com madeira foi recebido como alento por Maristela. "Já é efeito da ameaça que o Brasil fez de denunciar a conduta dos vizinhos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no tribunal de arbitragem do Mercosul", interpretou a dirigente, que espera mais remoção de barreiras a partir de encontro entre os dois governos previsto para esta semana.

O visto foi criado em junho. E Maristela explica que a medida gerou maior custo e transtornos. A empresa, depois de obter a licença para exportação, tinha de enviar funcionário até o Consulado da Argentina em Porto Alegre para obter a autorização. A taxa do visto era de R$ 80,00, somada às despesas de cartório, a conta ficava acima de R$ 100,00. "O problema não é só o valor, mas o transtorno de ter um funcionário indo à Capital para isso. Sem falar do impacto do atraso das licenças, acima de cem dias", indigna-se a presidente da Movergs.

Acordo selado em abril definiu limite de vendas ao país, além de assegurar que o prazo de liberação de licenças de 60 dias seria respeitado. O setor moveleiro gaúcho acertou corte de 35% no volume, considerando 2008. O efeito seria uma exportação de R$ 36,6 milhões. O problema é que os 60 dias foram respeitados somente no primeiro mês, depois tudo voltou à morosidade anterior. "Com a crise mundial e a desaceleração de compras, o valor não é ruim, haveria queda. Mas só que em dez meses alcançamos apenas US$ 15,02 milhões", protesta Maristela.

A queda é maior que a média brasileira, de 45,5% para a Argentina. A frustração com o vizinho aumentou o rombo na balança. O recuo no ano é de 33,6%, com faturamento de US$ 166,08 milhões, ante US$ 250,1 milhões do mesmo período de 2008. As dificuldades levaram os moveleiros a tentar compensar as perdas com a ampliação de vendas a outros mercados. Com isso, o Estado também está perdendo terreno nas exportações, com impacto na economia local. (Fonte)

Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística
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