
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, reúne-se hoje, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois dirigentes vão tentar resolver os conflitos comerciais, que voltaram a surgir entre os sócios do Mercosul por causa de barreiras mútuas aplicadas às importações. Cristina vai pedir a Lula o fim da exigência de licenciamento prévio para os produtos dos setores exportadores em que a Argentina é competitiva, segundo informou uma alta fonte do governo local.
“Nossa reclamação fundamental é que o Brasil não nos deixa ser competitivos nos poucos artigos que podemos competir”, queixou-se a fonte. Ele mencionou que, no caso da farinha de trigo argentina, os moageiros brasileiros têm um lobby que tenta tirar da Argentina a possibilidade de crescer e o direito de exportar. A fonte disse ainda que a indústria argentina é forte em laticínios e vinhos, mas esses produtos também são barrados pelo Brasil. “Não queremos nada de presente, somente uma relação de sociedade com condições justas de concorrência”, afirmou a fonte. Ele lembrou que a indústria brasileira conta com financiamentos do Bndes, enquanto a Argentina não conta com uma estrutura similar.
O objetivo do governo argentino é conseguir um compromisso do Brasil de integrar as cadeias de produção de ambos os países nos setores em que cada um dos sócios possa ajudar a desenvolver o outro e, juntos, partirem para os mercados fora do Mercosul.
Essa ideia foi transmitida pela ministra de Indústria e Turismo, Débora Giorgi, na semana passada durante entrevista coletiva à imprensa. Na ocasião, ela mencionou o setor de móveis, cujas negociações para integração estão em andamento. Mas justamente os móveis de madeira brasileiros são artigos que enfrentam maiores barreiras argentinas, que impõem espera de até seis meses para o ingresso dos produtos no mercado.
Mas se o vinho, leite e farinha de trigo são fundamentais para a Argentina, os calçados, os têxteis, os eletrodomésticos e autopeças são importantes para o Brasil. Esses e outras dezenas de produtos sofrem com as restrições comerciais argentinas desde outubro do ano passado.
Do lado brasileiro, o presidente Lula quer que a colega argentina libere essas travas, que não foram retaliadas antes por causa da crise internacional. Passado o pior momento da crise, os negociadores brasileiros pediram aos argentinos o fim das licenças prévias ou, pelo menos, que estas fossem concedidas dentro do prazo regulamentado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), de 60 dias. Mas Cristina Kirchner e a ministra Débora Giorgi não atenderam ao pedido e mantiveram os prazos, que ultrapassam 180 dias.
Ao ver que o Brasil perdeu para os chineses a liderança no mercado argentino de calçados e têxteis, além de importantes fatias dos setores de eletrodomésticos e móveis, o governo brasileiro no mês passado passou a adotar licenças não automáticas para uma série de produtos argentinos, como vinhos, laticínios, farinha de trigo, batata, alho, aerossóis e outros.
A pauta do encontro prevê uma conversa entre Lula e Cristina, sozinhos, sobre todos os pontos relacionados aos conflitos comerciais, disse um diplomata brasileiro; uma reunião entre os ministros de Indústria e Comércio Brasileiro, Miguel Jorge, e da Argentina, Débora Giorgi, os chanceleres Celso Amorim e Jorge Taiana, respectivamente, diplomatas e técnicos que acompanham suas comitivas; e, ainda, uma reunião ampliada entre os presidentes e suas equipes. (Fonte)
Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística