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Segunda-Feira, 30 de novembro de 2009
Indústria volta a buscar crédito para investir

Enquanto os bancos privados mostram a intenção de voltar a expandir suas carteiras de crédito com negócios mais arriscados, voltados para a pessoa jurídica, as instituições públicas lideram a concessão de empréstimos para a indústria. Segundo dados do Banco Central (BC), esse setor, que se retraiu durante período mais intenso da crise e passou a adiar projetos, volta a contrair empréstimos de longo prazo, o que sinaliza uma retomada nos investimentos para expansão.

Dados do BC indicam um crescimento do crédito para indústria no sistema financeiro nacional de 0,1%, em outubro em relação a setembro, a um saldo total de R$ 299,209 bilhões. No período comparado, a expansão do sistema financeiro público ficou em 1,4%, contra 0,1% do privado, a estoques de R$ 137,304 bilhões e R$ 117,223 bilhões, respectivamente. Os bancos estrangeiros registraram uma queda de 3,4% no período, a R$ 44,682 bilhões.

Na comparação anual, os números são ainda mais díspares. Em doze meses, o sistema financeiro nacional cresceu 7,1%. Nesse interím, os bancos públicos tiveram uma expansão de 22%, contra quedas de 0,8% e 8,3% das instituições privadas e estrangeiras, respectivamente.

Apesar dessa maior restrição do crédito nas instituições privadas, a indústria parece se preparar para um novo ciclo de crescimento, adquirindo crédito de prazo mais alongado. Segundo o BC, enquanto os financiamentos de curtíssimo prazo tiveram um crescimento de 1,2%, os de curto queda de 2% e os de médio prazo alta de 2,1%, o crédito de longo prazo cresceu 3,5%. O maior saldo em carteira ainda é das operações de curtíssimo prazo, com R$ 269,221 bilhões, seguido pelas de médio, com R$ 187,865 bilhões e de longo, R$ 166,946 bilhões. O menor estoque é o de médio prazo, com R$ 106,770 bilhões. Vale lembrar que, para o BC, as operações de menor prazo são até 180 dias; curto prazo, entre 181 e 360 dias; médio, de 361 a 1088; e longo prazo: acima de 1088. Para o analista-chefe da Gradual Investimentos, Paulo Esteves, esses dados corroboram a percepção de que as empresas estão voltando a planejar investimentos.

"Diminuiu a insegurança dos agentes econômicos e, com isso, está voltando um planejamento de longo prazo, uma retomada dos investimentos, inclusive expansão da capacidade produtiva", acredita o analista.

Porém, o sócio da consultoria Integral Trust e ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Troster, adverte que a maior parte das operações ainda estão centradas nas grandes empresas e que o crédito, para as pequenas e médias, ainda está caro.

Os números divulgados pelo BC mostram que o maior crescimento do crédito para pessoa jurídica, foi na faixa acima de R$ 10 milhões, de 1,7%, a saldo de R$ 350,668 bilhões, indicando valores demandados para companhias de maior porte. A expansão nos valores até R$ 100 mil foi de 0,9%, a R$ 121, 457 bilhões, e entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões, de 1,1%, a R$ 275,995 bilhões.

Para Esteves, baseado nas perspectivas anunciadas pelos bancos durante divulgações de resultados no terceiro trimestre, a tendência de retomada do crédito deve ser gradativa, já mostrando sinais de expansão mais forte no último período do ano e se consolidando em 2010.

As instituições de varejo do governo federal, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), aproveitaram a retração dos bancos privados para expandir suas carteiras e conquistar espaço no mercado.

A CEF, mais tradicionalmente ligada ao crédito à pessoa física, diversificou suas operações e fortaleceu suas operações com empresas. O crédito a pessoa jurídica teve crescimento de 109% no terceiro trimestre, ante setembro de 2008, a saldo de e R$ 20,9 bilhões. Para 2010, a meta inicial da instituição é de um crescimento total na carteira de crédito de 30%. O estoque atual é de R$ 113,8 bilhões.

No BB, o crédito para empresas cresceu 37% em doze meses, até setembro deste ano, a estoque de R$ 116,994 bilhões.

Na instituição de fomento Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), o bom desempenho da indústria foi o principal responsável pelo resultado dos desembolsos até outubro. O setor industrial respondeu por 49% do total de desembolsos, com liberações de R$ 52,6 bilhões, com crescimento de 82% em relação aos 10 primeiros meses de 2008. Por esse crescimento dos bancos públicos ao longo do ano, analistas de mercado defendem que o espaço de crescimento das instituições públicas já estaria próximo do limite, levando as instituições privadas a expansão mais agressiva.

Isso porque os bancos privados estariam capitalizados, com excesso de caixa, e poucas operações de crédito, além de apetite para retomar o mercado perdido.

"Em 2010, deveremos ter um quadro mais equilibrado nas concessões de crédito", acredita Esteves, da Gradual. Para ele, com um maior crescimento econômico, os bancos privados não seriam tão defensivos como visto ao longo de 2009.

Para Toster, da Integral Trust, o setor industrial "perdeu 3 anos". "A projeção é que a indústria, como um todo, volte ao mesmo patamar de 2007 apenas em 2010", explica o analista.

Ele explica que a demanda por crédito é cíclica e deve aumentar junto com o aumento da atividade econômica projetado para este trimestre e o próximo ano.

As operações de crédito do sistema financeiro nacional cresceram um total de 1,4% em outubro, ante setembro, chegando a um saldo de R$ 1,366 trilhão no último dia útil do mês passado.

Segundo dados do BC, o crescimento do sistema financeiro público, na comparação mensal, foi de 1,7%, a estoque de R$ 556,462 bilhões, contra 1,5% no sistema privado, a estoque de R$ 557,129 bilhões, e de 0,5% no estrangeiro, a saldo de R$ 253,344 bilhões.

Na comparação anual, até outubro, a carteira das instituições públicas, saltou 34,1%, ante 7,9% dos privados e contração de 0,2% dos estrangeiros. (Fonte)

Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística
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