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Sexta-Feira, 04 de dezembro de 2009
Infraestrutura alavancará a cadeia de transporte em 2010

Os planos voltados à expansão da área de infraestrutura no País, previstos para os próximos anos, vão contribuir com a retomada da indústria fornecedora de equipamentos ao setor de transportes, que em seus vários segmentos observará uma queda média de 20% nos negócios em 2009, ainda em decorrência da turbulência econômica. Os projetos de mobilidade urbana, a implantação do trem de ata velocidade (TAV), o pré-sal, concessões de rodoviárias e ferroviárias, e até o incremento no turismo podem trazer a cadeia produtiva de volta aos patamares de 2008, um dos períodos mais aquecidos da história recente do setor.

Um dos exemplos destes benefícios é o mercado de carrocerias de ônibus, cujo cálculo é de um retrocesso de 19% da produção este ano, se comparado com as 31 mil unidades produzidas em 2008. "Nessa área, temos como fatores positivos para a retomada os estudos de implantação de projetos de ônibus rápidos que devem ser apresentados como solução à mobilidade urbana nas cidades que vão sediar a Copa de 2014", analisou José A. F. Martins, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviário (Simefre).

De acordo com Martins, já em 2010 as vendas do segmento no mercado interno podem ser parecidas com o que foi visto em 2008, quando foram comercializadas 25 unidades. O executivo citou ainda como impulso os aportes em estrutura viária, previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e até um mercado em desenvolvimento no Brasil, que é o dos ônibus escolares, muito comum em outros países.

Além dos projetos, é claro, a perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) do País volte no próximo ano à casa dos 5%, como se vem projetando, também influenciará a recuperação, bem como a manutenção das atuais linhas de crédito, disponíveis aos segmentos envolvidos em todas as cadeias.

Ainda na área dos ônibus, um outro projeto que promete imprimir força extra à industria é a reestruturação de todo o sistema interestadual e internacional de passageiros, com a prorrogação das licenças das empresas até 2011, segundo Bernardo Figueiredo, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). "Todo esse processo desencadeará uma renovação da nossa frota rodoviária, e as empresas voltarão a investir. Isso também beneficiará a indústria", colocou. No segmento de implementos rodoviários (que compõem os caminhões), a perspectiva é de que o ano de 2009 feche com R$ 4,5 bilhões de faturamento, representando uma queda de 20%. Porém, a expectativa para o ano que vem é de que haja um crescimento de até 10% sobre este resultado. "Os investimentos em infraestrutura, aliados ao aquecimento da construção civil e aos bons resultados do setor agrícola, vão aquecer a demanda do setor rodoviário de cargas, trazendo a necessidade de haver mais caminhões", diz César Pissetti vice-presidente do Simefre.

Trilhos

Outro setor que está otimista para 2010 é o ferroviário. Fabricantes de vagões, carros de passageiros e locomotivas devem terminar 2009 com um faturamento de R$ 2,1 bilhões, montante menor do que os R$ 2,6 bilhões de 2008. Para o próximo ano, os empresários acreditam em um aumento do número de encomendas. "Há no País hoje projetos que somam 16 mil quilômetros de ferrovias em curso e dos quais 5 mil estão em implantação, o que deve favorecer os fabricantes de trens", acrescentou o diretor-geral da ANTT.

Para a diretoria do departamento ferroviário do Simafre, outra forma de garantir mais oportunidades ao setor da indústria ferroviária é que o projeto do TAV garanta mais de 50% de conteúdo nacional na fabricação dos equipamentos, o que será possível também pela tão comentada transferência tecnológica.

Já o setor de motocicletas será favorecido pelos projetos voltados ao planejamento da mobilidade urbana, como a regulamentação do segmento de moto-frete, popularmente conhecido como o de motoboys, além de um marco regulatório para atividade dos moto-táxis, fatores que podem incrementar a frota do País. Em 2009, a produção de motos caiu 26%, mas a indústria pretende pelo menos chegar perto dos níveis produtivos de 2008. "Além disso, contamos a curto prazo, com fatores como a injeção de dinheiro no mercado no final do ano, com a elevação do emprego a renda dos nossos clientes-alvo para aquecer as vendas", incluiu Paulo Takeuchi, também vice-presidente do Simefre.

Sustentável

Não é só a produção de motorizados que deve aquecer-se com as melhorias de infraestrutura: o setor de bicicletas também entra nesse bolo. "As políticas de sustentabilidade na mobilidade urbana, com a criação de ciclovias vão beneficiar nosso setor", disse Eduardo Musa, do Simafre. (Fonte)

Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística
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