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Quarta-Feira, 01 de dezembro de 2010
Pioram as finanças na Zona do Euro

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, deixou em aberto a possibilidade do banco ampliar significativamente suas compras de títulos do governo. Trichet afirmou ainda, durante audiência no Parlamento Europeu, que os ministros de Finanças da zona do euro decidiram não exigir, inicialmente, que os detentores de bônus de países da região em dificuldades financeiras sofram perdas.

Ele acrescentou que impor uma perda no principal das dívidas mantidas pelos detentores de bônus recompensaria sistematicamente os especuladores que assumiram posições vendidas nessas dívidas e puniria aqueles que "demonstraram confiança".

O presidente do BCE também comentou a questão cambial. Em uma referência velada à China, Trichet disse que as economias emergentes com amplos superávits comerciais precisam aceitar que uma "apreciação gradual e ordenada de suas moedas ante outras divisas" de maior liquidez é de interesse tanto delas próprias quanto da comunidade internacional.

Trichet disse ainda que há "sérias preocupações" do BCE com a fraqueza das novas regras da UE para evitar desequilíbrios perigosos no câmbio.

Queda

As bolsas de valores europeias fecharam em queda, mesmo com a divulgação de dados econômicos positivos nos Estados Unidos, que ajudaram a reduzir um pouco as perdas. Os receios em relação às dívidas soberanas da zona do euro continuam a prejudicar os mercados. As ações de bancos foram as mais afetadas. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,33 ponto (-0,13%), fechando a 261,83 pontos.

Para Philip Shaw, economista-chefe da Investec Securities, um ciclo vicioso se desenvolveu nos mercados de bônus da Europa, com os receios sobre as dívidas soberanas elevando os yields, o que faz os investidores venderem seus títulos, gerando um novo aumento. "Salvar países individualmente não é suficiente para controlar o nervosismo nos mercados de bônus da zona do euro", comentou.

Portugal

Os bancos de Portugal estão comprando os bônus do governo do país em um ritmo mais rápido, uma medida que pode gerar um risco para as instituições e destaca as contradições que as autoridades europeias estão enfrentando para tentar salvar as economias da região.

As autoridades europeias estão fornecendo financiamentos baratos para os bancos por meio do Banco Central Europeu (BCE), e economistas dizem que os bancos parecem estar usando esse dinheiro para comprar bônus do governo, tornando o sistema bancário vulnerável a riscos associados com dívidas soberanas.

De acordo com o banco central de Portugal, as instituições financeiras, incluindo os bancos, investiram este ano 17,91 bilhões de euros nas dívidas públicas do país até setembro, 87% acima dos 9,58 bilhões euros do mesmo período do ano passado. Do começo do ano até agora, essa exposição já aumento 77%.

A compra de dívidas do governo pode ser lucrativa, já que os bancos tomam emprestado do BCE com uma taxa de juros de cerca de 1% e esses títulos atualmente oferecem um juro de quase 7%. Além disso, os bancos podem usar as dívidas do governo como colateral para emprestar do BCE, em um período em que eles estão fortemente dependentes desse tipo de financiamento.

Mas o medo de investidores de que países europeus não sejam capazes de pagar suas dívidas agora vale também para o setor privado. Banqueiros da zona do euro têm dito que estão com dificuldade para tomar dinheiro emprestado no mercado. Alguns deles já afirmaram que estão pensando em adiar emissão de papéis devido à desconfiança dos investidores. (Fonte)

Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística
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